Pouco mais de um mês após o acidente que culminou no falecimento do Sr. Juca Evangelista, mais conhecido como Juca da Galocha, o assunto ainda não está totalmente esclarecido.

A informação inicial, divulgada pela própria Viação União era de que a empresa estaria prestando toda assistência desde o acontecimento, e que representantes da mesma teriam sido enviados até o hospital para saber o quadro clínico da vítima. Entretanto, O Viçosa em Dia foi procurado por familiares do Sr.Juca, que afirmam que tal informação é falsa, e que de fato, não foi o que aconteceu. Portanto, nos contaram a sua versão do caso, citando como uma das causas, a irresponsabilidade do motorista.

Foto: Acervo pessoal

Ao que parece, a empresa responsável pelo transporte coletivo de Viçosa, em momento algum prestou auxílio de maneira voluntária, e também não arcou com os medicamentos necessários para o tratamento do mesmo, afirmando não possuir culpa no ocorrido. Além disso, segundo testemunhas, o acidente ocorreu por total culpa do motorista do veículo. A Viação União não correspondeu às tentativas de contato do Viçosa em Dia.

Segue abaixo, uma nota transcrita e enviada ao VD pelo filho (Vereador Helder Evangelista) e pela filha (Edileine) do conhecido Juca de Galocha.

Primeiramente, cabe esclarecer que a versão divulgada à sociedade em relação ao acidente ocorrido no dia 27/02/19, em que um ônibus da Viação União atropelou o Sr. José Evangelista (Juca de Galocha), é a versão que consta no boletim de ocorrência dada pelo motorista e pela cobradora do veículo em questão. No entanto, segundo o relato de algumas testemunhas, que estavam próximas ao local, bem como da própria vítima, o Sr. José Evangelista estava sentado no ponto de ônibus, juntamente com outras pessoas. No momento em que o coletivo parou para o embarque dos passageiros, houve o deslocamento da vítima até a porta do veículo com certa dificuldade, em virtude da idade avançada, por ser manco de umas das pernas e, ainda, por estar embriagado. Segundo testemunhas, quando o Sr. José Evangelista se movimentou para entrar no veículo, o motorista fechou a porta e arrancou, momento em que a vítima se desequilibrou e caiu vindo a ser atropelado. De acordo com as testemunhas, o que causou estranheza maior é que o motorista, antes de partir, tem o dever de verificar se não há mais ninguém para embarcar. Qualquer motorista tem o dever de olhar pelos retrovisores para verificar se pode dar partida com segurança. Como um condutor de ônibus não vê uma pessoa que estava próxima ao veículo? Se a roda passou no braço da vítima, significa que ela estava muito próxima ao mesmo. Cabe esclarecer, também, sobre a informação divulgada de que a empresa Viação União estava prestando assistência à vítima desde o acidente e que representantes da empresa foram até o hospital para saber o quadro clínico da mesma. Em nenhum momento a Viação União prestou qualquer assistência de forma voluntária. No dia do fato, a família procurou o advogado da União e este se dispôs a mediar o contato com a empresa. No dia seguinte, o representante da União, Sr. Ismal, fez contato com a filha do Sr. José e, em com descaso, perguntou se o que a família precisava era de algum “remedinho”. O que foi respondido que ”remedinho” o próprio SUS fornece e que o que a vítima precisava era de um tratamento específico para que não ocorresse a perda do braço, enfatizando a gravidade dos ferimentos. O Sr. Ismal informou, então, que, naquele mesmo dia, encaminharia à Seguradora da empresa o boletim de Ocorrência para que a mesma aprovasse a cobertura do sinistro e que entraria em contato até as 16:00 hs para dar a resposta. Como não houve retorno, a família tentou contato, mas as ligações não foram atendidas. Somente no dia seguinte (01/03/19) é que o Sr. Ismal informou que tinha encaminhado o B.O. para a Seguradora. Esta, então, entrou em contato com a família e solicitou a cópia de documentos e o relatório médico para autorização da cobertura. Tal relatório só foi conseguido no dia seguinte, quando então foram encaminhados todos os documentos solicitados e, após horas sem resposta, a família entrou em contato com a Seguradora que informou que a empresa de ônibus não estava assumindo a culpabilidade pelo acidente. Quer dizer, em total desrespeito, fizeram a família esperar até sábado, véspera de um feriado prolongado, para dizer que não assumiriam a responsabilidade pelo acidente. Para piorar, após a negativa, foi tentado contato com o representante e o dono da União, mas não atenderam. O Sr. Ismal, inclusive, desligou o telefone . A família, então, entrou em contato com médicos da cidade de Juiz de Fora para que fosse feita a transferência. Para isso, era necessário o contato do médico de Viçosa com o Hospital Albert Sabin, o que foi possível, somente na segunda feira (04/03/19), porém, referido hospital já não tinha mais vaga. Nesse mesmo dia, a empresa União procurou a família para informar que não é que eles não se responsabilizavam pelo acidente, mas que, em decorrência de outro acidente em que o ônibus da União esmagou a perna de uma moça, a Seguradora não arcou com as despesas e a empresa teve que arcar.Todavia, em virtude da gravidade do acidente, essa não é uma postura muito responsável. Assim, foram feitos contatos com diversos hospitais, mas, todos solicitaram o contato do médico responsável, o que, em virtude do feriado, somente foi possível na terça feira (05/03/19), ocasião em que foi solicitada a transferência para o Hospital São Paulo, na cidade de Muriaé/MG, com vaga, somente, para quarta-feira (06/03/19). Diante de todos esses fatos, aliados a outros fatos que, ainda, serão esclarecidos, o Sr. José Evangelista não suportou aos ferimentos, a toda essa demora e veio a óbito no dia 08/03/19.